Home / Notícias / Indícios da reencarnação

Indícios da reencarnação

Não fossem as manipulações das chamadas “escrituras sagradas”, ocorridas no Concílio de Nicéia em 325d.C. e no Segundo Concílio de Constantinopla em 553d.C., a idéia da reencarnação teria maior aceitação por parte dos religiosos. Certos de que a idéia enfraqueceria o poder da igreja, os líderes políticos e religiosos trataram de retirar as referências à reencarnação de todos os textos bíblicos, contudo, deixaram passar o famoso diálogo entre Jesus e Nicodemos, a saber: “Ninguém pode ver o reino de Deus se não nascer de novo” (João, cap.III, v. 1 a 12). Mas, como tudo na Bíblia, o texto provoca controvérsias e múltiplas interpretações.

Deixando esta chatice Bíblica de lado, bem como inúmeros textos fora do contexto de nossa época, destaco o brilhante e corajoso trabalho do Dr. Ian Stevenson (1918-2007).

Durante um período de quase quarenta anos, o Dr. Ian realizou pesquisas no campo da psiquiatria e parapsicologia. Formado em medicina em 1943, começou como clínico geral e especializou-se em psiquiatria. Aos trinta e nove anos tornou-se chefe do departamento de psiquiatria da Escola de Medicina da Universidade de Virginia, nos Estados Unidos. Foi aí que começou a investigar relatos de crianças que supostamente se lembravam de vidas passadas.

O Dr. Ian registrou em torno de seiscentos casos de pacientes que se lembravam de supostas vidas “passadas”, sendo que esmiuçou diretamente duzentos deles. Estes casos foram pesquisados nos Estados Unidos, Canadá, Grã-Bretanha, Alasca, Índia, Ceilão, Líbano e Brasil. A metodologia de trabalho que ele utilizou fez com que alguns casos fossem acompanhados periodicamente com intervalos de até duas décadas, exigindo viagens cansativas a lugares de difícil acesso, inclusive em períodos de guerra. Só alguém muito dedicado e persistente poderia caminhar de bairro em bairro fazendo entrevistas em lugares pobres, amassando barro com os sapatos, se expondo ao olhar hostil e incrédulo de curiosos e familiares dos pacientes.

A maioria de suas pesquisas sobre reencarnação teve como alvo crianças de 2 a 7 anos de idade. Após ficar sabendo de um caso, o Dr. Ian fazia entrevistas e seguia pistas materiais, investigando a família e o círculo de relacionamento do paciente. As informações eram catalogadas, organizadas e minuciosamente estudadas para que hipóteses pudessem ser construídas.

As observações do Dr. Ian envolveram, entre outras, crianças oriundas de famílias naturalmente refratárias à reencarnação, tais como católicas e muçulmanas. Os relatos continham casos de xenoglossia – crianças que dominavam uma língua estrangeira sem nunca tê-la estudado - e marcas de nascença que tinham relação com fatos comprovados de reencarnações anteriores.

Quem estudou e acompanhou de perto os casos pesquisados pelo Dr. Ian, afirma que ele nunca tentou manipular os dados para que a conclusão fosse a reencarnação, muito ao contrário disto. Como bom cientista, todas as hipóteses médicas e paranormais foram levantadas, inclusive questões que envolveram possibilidades de fraude ou interesses materiais. Mesmo assim, dentro da grande gama de pesquisas, há muitas situações para as quais não há outra explicação razoável a não ser a hipótese da reencarnação.

Outro médico, especialista em psiquiatria, o norte-americano Brian Weiss, chefe do departamento de psiquiatria do Hospital de Miami, também estudou o assunto. Seu primeiro caso foi relatado no livro “Muitas Vidas, Muitos Mestres” (1988), que vendeu mais de dois milhões de cópias em todo mundo. Assim como o Dr. Ian, o Dr. Weiss enfrentou o preconceito e a desconfiança da comunidade científica, arriscou sua carreira e prestígio para divulgar a verdade, ou seja, os fatos como realmente ocorreram.

Se a reencarnação é uma realidade, a existência do espírito e a continuidade da vida após a morte do corpo físico também são. A doutrina da reencarnação explica, embasada na lógica, as tendências e habilidade inatas dos seres humanos, mostrando que ninguém é privilegiado ou desgraçado, mas, ao contrário, possui aquilo que merece dentro do contexto da lei de causa e efeito e do livre arbítrio.

Embora o esquecimento das vidas passadas seja realidade para esmagadora maioria das pessoas, os trabalhos do Dr. Ian e do Dr. Weiss mostram que elas existiram de fato e, ainda, que estão guardadas em algum escaninho da mente humana.

P.S. Aguardo, ansioso, a época em que os pesquisadores e seus financiadores terão a coragem de arriscar suas reputações em pesquisas na área da reencarnação. Fazer a verdadeira ciência também exige enfrentar a imensa cadeia de comando e controle das religiões dominantes e seu poderio econômico.

Autor: Márcio Pelegrini
Fonte: Espiritualidade sem religião